"Fez-se a Diferenca!", diz a Joana... E ainda bem!!!
" Com a vitória do "sim", altera-se o essencial. Ontem terminou a perseguição e criminalização das mulheres que abortam nas primeiras semanas. Quando a lei for promulgada, novas mudanças terão de ser operacionalizadas. Não são apenas os aspectos práticos e organizacionais que permitem a aplicação da lei que deverão fazer o seu caminho. Para que os resultados deste referendo possam ter expressão, é estritamente necessário que, seja nos hospitais ou nas vizinhanças, a pressão e a censura moral sobre as mulheres abrandem e, depois, se extingam. Apenas desse modo desaparecerá a vergonha, o medo e a culpa, grandes combustíveis do aborto clandestino.
Por isso, no dia seguinte ao referendo, quer os defensores do "sim" quer os defensores do "não" têm grandes responsabilidades. Os portugueses respeitaram a campanha e a votação. Respeitem-se, agora, os resultados do referendo, independentemente do sentido de voto de cada um. "
Joana Amaral Dias in DN
Esta opiniao surge em claro contraste com outra retirada do mesmo jornal, por um senhor de ares muito importantes, mas para quem a clandestinidade do aborto, a vilencia fisica e psicologica 'a qual as mulheres portuguesas tinham de se sujeitar, a falta de dignidade e a imoralidade da sociedade perante este que e' um problema social, moral e de saude publica e' um assunto sem importancia de maior...
" Como bons portugueses, adoramos estas discussões ociosas, que nada têm a ver com a vida autêntica, os problemas resolúveis, o que podemos fazer. Não passam de abstracções inatingíveis, conceptualizações insolúveis, pormenores transcendentes. Mas parecem sempre basilares, decisivos, candentes. Fingem mesmo ser essenciais. (...)
O inconveniente destas substâncias intoxicantes é a ressaca do dia seguinte. Hoje é a segunda-feira de manhã, em que a rua, cheia de cartazes e canas de foguetes, nos lembra a nulidade do esforço. Pior, este é o dia de voltar à vida real, aos empregos sem saída, aos impostos que não descem, à torneira que pinga. A luta foi emocionante, mas realmente não serviu para nada. Estamos mais cansados, combativos, irritados, mas não mais ricos, produtivos, felizes. O drama do aborto continua, os problemas de saúde mantêm-se, a vida recomeça igual. Só os extremistas, que odeiam a sociedade, lucraram com o tempo perdido."
De facto, caro senhor professor doutor... tanta letra, tanta treta!



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