Friday, October 26, 2007

Ásia Minha - Parte I: Beware of the tuk-tuks...


THAILAND - BANGKOK

Passadas 11 horas de vôo onde não dormi nem um minuto, não tinha nem sequer a certeza de qual era o meu nome quanto mais saber em que país me encontrava... Mas o bafo quente que me assaltou assim que pus o pé fora do avião não deixáva espaço para dúvidas: estava far far away da Holanda...


Bangkok foi para nós pouco mais do que um ponto de transição onde talvez tenhamos passado um total de 30 horas, não mais do que isso, entre as poucas horas à chegada à Ásia e as poucas horas antes da partida para a Europa. No entanto, que excelente ponto de transição!!!! Bangkok é uma cidade vibrante e estranhamente moderna mas com um toque de exótico, ideal para começar a temperar os ânimos e preparar-nos para as aventuras que se adivinham ...


Os cheiros e cores já são muito diferentes dos que estamos habituados na Europa, as caras já têm expressões menos comuns entre nós, os olhos começam a ser ligeiramente mais rasgados, a estética claramente asiática... O barulho de fundo é também mais vincado do que aquele a que estamos habituados: as buzinas, os carros, as motas, as conversas, as vendedoras de rua a solicitarem a nossa atenção. Aos poucos os sentidos dormentes da viagem despertam para este mundo novo e aos poucos e poucos aterrámos efectivamente na Tailândia.


A nossa aventura em Bangkok começou mais precisamente em Khao San Road, meca para backpackers e também o local ideal para - literalmente - shop until you drop e comprar tudo o que possa vir a ser necessário para uma viagem pela Ásia como backpackers... inclusivé os próprios backpacks!!! Dado que eu e a Jo.ana iríamos com standby tickets para Bangkok, optámos por levar connosco apenas uma mochila como bagagem de mão, por forma a tornar todo o processo de espera e embarque mais célere. Levávamos connosco unica e exclusivamente o essencial: a ideia era precisamente comprar tudo o que viessemos a precisar assim que estivessemos na Tailândia. Sorte das sortes fomos precisamente aterrar no coração do mercado de rua de Khao San Road onde pudémos comprar desde as mochilas de campismo, roupa, calçado, até ao pente de cabelo... e escusado será dizer que foi tudo ESTUPIDAMENTE barato!

Backpack extreme makeover...

ANTES (Schiphol Airport, 5Oct2007)



DEPOIS (Bangkok Airport, 21Oct2007)


Bangkok foi também para nós o palco de um ténue choque cultural. Nas primeiras horas na Ásia estávamos um tanto anestesiadas: pelo sono, pelo calor e pela constante estimulação dos sentidos de que éramos vítimas à medida que nos deslocávamos... De início estávamos um pouco apreensivas, alertadas pelos textos dos guias e pela própria não-familiaridade do ambiente que nos rodeava. Mas à medida que os dias se passaram fomos ficando cada e cada vez mais confortáveis com a Ásia e com as suas particularidades e por fim não se nos apresentava mais como ameaçadora ou estranha... mas simplesmente muito bela!

Não poderíamos no entanto acabar a nossa aventura sem viver um clássico asiático, mais precisamente um clássico de Bangkok. Scams... scams... scams... todos os guias alertam o turista incauto para os perigos que se adivinham na Ásia. É quase certo e sabido que um turista (parvo) irá ser vítima de um qualquer esquema, mais ou menos elaborado, que tem por objectivo extorquir-lhe pequenas ou grandes quantidades de dinheiro de uma forma mais ou menos legítima. A extensão do esquema e os danos colaterais dependem grandemente da perspicácia do turista ou do local e do factor sorte. Felizmente nós estivemos entre a categoria dos turistas mais espertos, ou seja: SIM, fomos efectivamente vítimas de uma trapaça mas (felizmente) foi relativamente inócua e sem consequências de maior, para além da chatice em si... No nosso último dia no continente asiático contávamos conseguir ver um pouco de Bangkok no curtíssimo espaço de tempo em que nos encontrámos lá e para tal contávamos com a ajuda de um tuk-tuk (os taxis daquelas bandas).


Os tipos dos taxis são mesmo uma raça própria... e de particularidades específicas que são comuns internacionalmente... O nosso condutor de tuk-tuk, como bom taxista e não querendo falhar ao carma da sua espécie, fez questão e gosto em nos enganar... grrrrrr... Tinhamos combinado um determinado percurso pelos high lights da cidade por um certo preço. Vimos dois dos locais escolhidos e tudo decorreu sem problemas. Mas a terceira paragem não correspondia a nenhum pagode ou atracção turística. Correspondia sim a uma joalharia de gosto extremamente duvidoso... Por cortesia acedemos a visitar a dita loja, mas os artigos em exibição eram de tão mas tão mau gosto que fizemos um certo esforço para não nos rirmos, não comprámos nada e passados uns minutos voltámos para o tuk-tuk. Até aqui tudo bem, o precalço tinha tido o seu quê de piada e agora estávamos de volta para o nosso roteiro. Somos então deixadas no próximo ponto e o senhor condutor diz com um sorriso malandro: "Here is the Big Standing Buddha... Very beautiful... take as long as you want!". E assim foi... pelo senhor até poderiamos ter ficado lá até hoje, pois uma vez que tinhamos terminado a nossa visita cadê o tuk tuk? Ah pois é... abandonadassssssssssss apesar de não termos pago a viagem... Primeiro ficámos pior que estragadas mas logo nos apercebemos que sabíamos onde estávamos e que temos boas perninhas para andar. Infelizmente estávamos com o tempo um bocado contado e acabámos por não ter oportunidade de ver muito mais de Bangkok... mas aproveitámos bem o contratempo, usando-o como desculpa para relaxar e desfrutar de uma muito merecida massagem de 1 hora e meia! Uma excelente maneira para nos despedirmos da Ásia...

O balanço das poucas horas de estadia em Bangkok foi, apesar de tudo, positivo: apesar dos esquemas, apesar da sensação de que as pessoas tentam sempre abordar-te com segundas intenções, apesar do barulho e das baratas do tamanho camiões-TIR, na generalidade o povo siamês é um povo de sorrisos largos e acolhedor. Bangkok é um bom ponto de entrada na Ásia, pois permite uma transição suave entre as realidades da Europa e da Ásia e é o suficiente para nos deixar o gostinho a Tailândia e ficarmos com curiosidade de explorar mais o país...

4 comments:

Maffa said...

Bem, mas se nao tinham pago a viagem do Tuk Tuk, até tiveram alguma sorte no meio do esquema, andaram a passear de borla, ele tb nao se ficou a rir :)
Gostaste da massagem?!? Eu só tive 15 minutos e jurei para nunca mais, aquilo era com tanta força, que eu só queria que os 15 minutos acabassem :)

Menina Azul Reciclada said...

Pois, vê lá... Como é óbvio nós só iríamos pagar no final da viagem completa. Mas o tipo nem era amigo de si próprio e só faltavam para aí duas paragens mais para nos largar... Não percebemos. Mas o indivíduo era tão mas tão parvo que mais tarde estava à porta do nosso hotel (local onde inicialmente nos tinha apanhado) à espera de outros turistas. Claro que nós fomos lá ter com ele e demos uma descasca a ele e ao tio (que era o chefe dele)... Não resolveu muito mas ao menos nós lavámos a alma! :-)
Quanto à massagem foi dolorosa em determinadas alturas mas soube-me pela vida! Depois da viagem inteira a carregar mais de 10 kg às costas, que bem que me soube ter os músculos apaparicados! Mas nós optámos por outra massagem que não a Tailandesa. Ainda assim de vez em quando a massagista lá dava ares da sua graça com movimentos mais à massagem tailandesa... especialmente no fim quando me estalou as costas! :-S

∫nês said...

Oh, pscht! Faxavori!
Então que aconteceu 'a bela mochila com o peixinho todo laroca após o makeover? Coitadinha, foi-se?

Ainda bem que não te debruçaste sobre pormenores dos "camiões TIR". Que noooooojo!

Menina Azul Reciclada said...

Ahahah... a mochila com o peixinho foi uma mochila feliz, mas já foi... Não resistiu às intempéries desta viagem atribulada e olha... ficou na Ásia a curtir bem mais do que eu!

Quanto aos camiões TIR, eu estava cheia de medo pq toda a gente me dizia q na Ásia eles são grandes e abundam mas no final de contas acabei por nem ver assim tantos. Menos mal...