I did it!!!!!!! - o desenvolvimento!
Há meses que andava a ensaiar esta conversa... todos os dias no comboio, às vezes no duche, outras vezes na bicicleta, lá me punha a pensar no que dizer ao big boss naquela que já se antevia como "A" conversa.... Por isso foi com algum espanto que me encontrei tão calma, sentada no gabinete dele e pronta a dar início "À" conversa...
Chefe - Ah! Boa! Estou a ver que tens aí os teus planos todos escritos numa folha!
pobre PhD - Ergggghhhhh...
Na verdade as minhas folhas estavam cheias de apontamentos daquilo que eu lhe queria dizer e eram (na sua maioria) queixas: não estou motivada; as coisas não estão a correr bem; não tenho a supervisão que esperava; não acredito neste e naquele projecto; ando a trabalhar com artefactos; sinto-me isolada; ninguém faz comentários nas minhas lab meetings; etc, etc, etc...
Foi surpreendente a calma com que lhe fui apresentando as minhas queixas. A minha grande inspiração terá vindo da conversa que a minha amiga Violante teve com o seu chefe há uns meses! Ela demonstrou tamanha calma e segurança, que o desarmou... e a mim pôs-me a pensar: ela foi capaz, eu também serei!!! Grito de guerra! Ahhhhhhhhhhhhhh!
Nunca tive um chefe que fosse easy going. Eu sei que eles existem mas devem estar bem escondidos, porque quando me tocou a mim procurar laboratórios para fazer o estágio ou PhD acabaram sempre por me calhar uns ossos duros de roer. O mais frustrante é depois ver os meus amigos a falarem maravilhas dos seus estágios, dos seus orientadores, que os ajudam tanto, dão-lhes tanta motivação, dizem-lhes que estão a trabalhar muito... eu nunca conheci essa realidade! Durante o meu estágio o meu querido chefe "estragava-me com mimos". Acho que por fim eu chorava quase todos os dias, vítima das suas fúrias... Felizmente com a tese escrita veio o reconhecimento do meu valor, das minhas qualidades e do valor do meu trabalho - e ainda bem, senão acho que a seguir ao estágio me tinha dedicado ao fabrico de salsichas na fábrica da Nobre...
O meu chefe de hoje não tem acessos de fúria, mas peca pela distância e por nunca sabermos exactamente o que é que ele pensa de nós - até ao dia que nos chama ao seu gabinete e nos ataca! Ontem estive face a face com um chefe mais humano, é certo. As minhas palavras chegaram a ele. Senti que pela primeira vez ele me ouviu e compreendeu a minha dimensão enquanto Ser Humano... Não me posso queixar, no sentido em que ele não foi mau comigo, nem desgradável. É verdade que me tentou culpabilizar por esta ou aquela experiência que não correram como esperavamos - mas inspirada pela coragem e ganas da Vi, também eu lhe fiz frente e tive coragem de lhe dizer "If I may say something in my defense..." ou "you've got it wrong", "you are not right", "that time you said it very roughly". E resultou! Por fim senti um pouco mais de respeito. Consegui também fazer valer algumas das minhas ideias, ele aprovou alguns dos meus projectos e consegui com que ele me pedisse uns anticorpos para que eu possa "brincar" um bocadinho... neste aspecto, o balanço foi positivo!
Mas não há um happy ending (como sempre, nestas histórias). O verdadeiro objectivo da conversa era fazê-lo ver que, sendo eu a única pessoa no grupo a trabalhar em zebrafish e ainda por cima a única pessoa a trabalhar com o animal adulto num raio de muitíssimos km (e uma das poucas no mundo), o isolamento está a ser muito difícil para mim... Tenho vontade de fazer em paralelo um projecto em mouse, por forma a poder interagir mais com o resto do grupo. Tinha esperanças que ele me pudesse sugerir uma direcção de investigação. Ele não o fez, desconversou, contornou o assunto, pediu-me para eu lhe sugerir um projecto. Não sei se o fez por não querer ou por não saber... mas a verdade é que a batata quente continua nas minhas mãos. Ainda que seja um desafio, tenho agora que pensar por mim numa experiência em mouse que não demore demasiado tempo, que não seja demasiado complexa (pois ainda tenho de conjugar o trabalho com zebrafish), que seja inovadora e que dê um paper certo! :-S Acho que vou morrer...



6 comments:
PhD Power!
Grande Ana :)
Fico muito contente por teres conseguido falar com esse espécime animal, eu sei como é dificil...
Também já ando nesta vida há mais de 5 anos e nunca tive um chefe easy-going, apoiante, etc, mas sei que os há, tinha amigos que os tinham, e parece que finalmente fui encontrada por um :) Há futuro e há esperança!
Não desanimes e ataca esses mouses e esses fishes com unhas e dentes, agora que te sentes mais leve vais sentir a inspiração vir de todos os lados, vais ter milhões de boas idéias e vais saber concretizá-las:)
POWER!!!
Violante
O' Vi, que bom... quem me dera apanhar um desses para a proxima! Tambem acho q a culpa tem sido minha, que eu nao tenho sabido fazer as coisas... Mas pelo menos agora tenho fe' no futuro! Antevejo um post-doc em Barcelona e mal posso esperar para ter esta porcaria do PhD acabado!
Passei também muito tempo a achar que eu é que tinha culpa, que era burra, desleixada, deorganizada... Mas quando olho para os colegas preguicosos e desleixados que nao tem problema nenhum que levam uam vidinha de erros e nao se deixam enervar por isso, bem.. Nao podemos acreditar nessas coisas que só nos fazem mal e que sabemos que nao sao mesmo verdade..!
Barcelona? Parece-me muito bem:) Sempre posso voltar a visitar-te numa cidade interessante:) ehehe
Os meus planos passam mais por Lisboa, de certo modo é home, sweet home :)
Forca e com o fim à vista!!!
BOA!!!
Rabana Power!!!
A ver se ganho coragem tabém para a minha conversa de homem para homem com o meu chefe.
Filosofia Matinal - Se nós nao lutarmos pelo nosso PhD quem lutará???
É isso mesmo! temos que ser nós! às vezes acho que eles nos querem testar... Para mim foi um martirio até ao final do 2º ano para encontrar o "caminho", e até ao final do 3º por conflitos com o meu supervisor diário, é um atrofio... parece q só me quer atrasar, não me apoia nada, tenho uma relação de amor-ódio! pois por vezes tb o acho porreiro, mas para o papel que tem, contribui mto pouco: ao ponto de demorar mais tempo a ler que o prórpio orientador que tem uma agenda 5x mais cheia...
Agora que comecei o ultimo ano, tento não me deixar afectar tanto por ele e quando estou desesperada vou directamente ao outro que é mais apressado e objectivo (e que não me fez arrepender da minha opção até hoje), mas acho que não faz sentido... Acho mesmo falta de profissionalismo :-s em vez de serem eles a motivar-nos, temos que ser nós quase implorar, por favor acredita em mim!!! E claro, para tudo o que é estudantes e "convidados" temos que fazer planos xpto e ter tudo organizado, porque eles têm que andar motivados e achar que ali é q tudo acontece... enfim...
Mas é importante, sem duvida, volta e meia por a conversa em dia e mostrar o nosso ponto de vista, pois não acredito que sejam más pessoas e nos queiram mal...
Boa sorte
Pois, é uma pena que precisamente aqueles que deveriam nos ajudar às vezes são os que nos dificultam mais a vida... e nós sentimo-nos mal connosco próprias mas n
o fundo eles é que deveriam ter vergonha de não fazerem o seu papel como deve de ser...
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